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sexta-feira, agosto 29, 2008

estava ali deitado a lêr umas coisas e vim partilhar.



451.
"Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.
Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.
«Qualquer estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até ao fim do mundo.» Mas o fim do Mundo,desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do mundo, como o principio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as paisagens têm paisagem.
Por isso, se as imagino , as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como ás outras. Para quê viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na china, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações?
A vida é o que fazemos dela, As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos."

Fernando Pessoa in Livro do Desassossego pag 398

1 comentário:

Filipa disse...

Graziee for the comment! Vou anotar as dicas. Mostrar-te-ei mais se bem que o portfolio nao e assim tao vasto... e sim, sinto a maquina "pequenina" demais as vezes. :)

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