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sábado, julho 26, 2008

Lobo Antunes,frases.algumas.



"(...) penso no absurdo de escrever. De estar a escrever quando podia estar com os amigos, ir ao cinema, ir dançar que é uma coisa de que gosto... mas não, um tipo está ali e é um bocado esquizofrénico. (...) Há sempre uma parte subterrânea nas obras de arte impossível de explicar. Como no amor. Esse mistério é, talvez seja, a própria essência do acto criador. (...) Quando criamos é como se provocássemos uma espécie de loucura, quando nos fechamos sozinhos para escrever é como se nos tornássemos doentes. A nossa superfície de contacto com a realidade diminui, ali estamos encarcerados numa espécie de ovo... só que tem de haver uma parte racional em nós que ordene a desordem provocada. A escrita é um delírio organizado."

in Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano I, nº23, Janeiro de 1982

Isto às vezes é tremendo porque a gente que exprimir sentimentos em relação a pessoas e as palavras são gastas e poucas. E depois aquilo que a gente sente é tão mais forte que as palavras...

fonte: Público, 09.11.2004


Há momentos e situações em que o olhar comunica mais que as palavras, isso também é intimidade. Creio que sou capaz de dizer muitas cosas sem falar, é o outro que também tem de compreender e de saber interpretar. Quando se estabelece essa relação de intimidade e de amizade, não é necessário falar. [...] frequentemente é melhor não o fazer porque as palavras estão muito gastas.

fonte: Conversas com António Lobo Antunes, de María Luisa Blanco, 2002


A amizade é regida pelo mesmo mecanismo que o amor, é instantânea e absoluta.

fonte: Conversas com António Lobo Antunes, de María Luisa Blanco, 2002


Uma coisa é o amor, outra é a relação. Não sei se, quando duas pessoas estão na cama, não estarão, de facto, quatro: as duas que estão mais as duas que um e outro imaginam.

fonte: Diário de Notícias, 09.11.2004


ó ficas adulto depois do teu pai morrer, porque deixou de existir a última coisa que existia entre ti e a morte.

fonte: Jornal de Letras, 25.10.2006


Quando morre um pai, tem-se a sensação de que, na próxima vez que a morte aparecer à porta, seremos nós a abri-la.

fonte: Visão, 23.02.2006


Com o passar do tempo, há dois sentimentos que desaparecem: a vaidade e a inveja. A inveja é um sentimento horrível. Ninguém sofre tanto como um invejoso. E a vaidade faz-me pensar no milionário Howard Hughes. Quando ele morreu, os jornalistas perguntaram ao advogado: «Quanto é que ele deixou?» O advogado respondeu: «Deixou tudo.» Ninguém é mais pobre do que os mortos.

fonte: Diário de Notícias, 09.11.2004


Não fomos feitos para a morte, a não ser para a morte voluntária. A involuntária sempre me pareceu uma tremenda injustiça, para não falar em crueldade.

fonte: Diário de Notícias, 09.11.2004


Sinto uma consideração quase nula pelo que, em Portugal, se publica. Desgosta-me a infinidade de romances desonestos, entendendo por desonestidade não a falta de valor intrínseco óbvio (isso existe em toda a parte) mas a rede de lucro rápido através da banalização da vida. Livros reles de autores reles.

fonte: Visão, 07.08.2003


Durante anos, mesmo em relação a jornalistas, tentaram à força colar-me a imagem que imaginavam que eu fosse, ainda agora. […] Sou arrogante, mal-educado, rebelde, geralmente sou sempre o António Lobo Antunes somado a qualquer coisa desagradável. Não corresponde a nada do que sou, a nada.

fonte: Diário de Notícias, 08.12.2001


Eu gosto desta terra. Nós somos feios, pequenos, estúpidos, mas eu gosto disto.

fonte: Ler, 1997


obs: haviam mais frases,mas pesquisem vocês, fodam-se.
(momento efémero mas sentido).


1 comentário:

Joana disse...

Nao posso estar mais de acordo com o que li! Algumas delas já as tinha ouvido...pot ti, claro! =)

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