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segunda-feira, março 11, 2013

desemprego de amor.

O grande problema do amor é que dá muito trabalho e há muitas pessoas que até nisto querem antes um emprego. Um emprego onde não as chateiem muito, onde façam o que têm a fazer, onde não inventem coisas novas - isso não, com os diabos! - nada de ideias extra, nada de esforços suplementares, nada que os obrigue a ficar nem mais um minuto depois da hora de saída. Mas o amor não é um emprego e não tem toque de saída, porque não tem saída.
E é isto, desde logo, que o distingue de um emprego. Num emprego entra-se às 9 e sai-se às 5, no amor estamos em regime de internato. Não conheço ninguém que não ame 24 horas por dia e já o mesmo não digo a quem preferiu a via do emprego. A minha sábia avó quando parcas vezes lhe apresentei uma namorada, olhava para ela e dizia sempre em tom de resignada comiseração “Mal empregada filha, mal empregada!” Justamente por isto, por perceber que a miúda não iria ter ali um bom emprego, por olhar para mim como um banco que fecha às 5, quando sempre lhe disse que era uma loja extra avozinha (daquelas que não fecham às 2), urgências de hospital, esquadra de polícia.
O amor que dá trabalho está aberto 24 horas por dia, não fecha nunca, quando muito coloca na porta um “ Volto já” e volta mesmo. Pelo contrário, o emprego pode sair às 5 da tarde e já não voltar às 9 da manhã. Por isso se diz que há muito trabalho, mas pouco emprego. O amor que dá trabalho - que é deste que estamos a falar- é daquele trabalho duro que suja a roupa, onde tem de se usar um daqueles capacetes amarelos fluorescentes, daqueles óculos especiais que os ministros usam quando visitam minas ou  siderurgias nacionais. O emprego no amor, não usa  nada disto. Faz o trabalhinho, mas de preferência sem sujar os calções, de preferência sem partir as unhas. E é por isso, por o amor dar muito trabalho, que há tanta gente no desemprego. 
 Fernando Alvim
Humorista. Escreve à segunda-feira

obs: enviado pela Kate Moss.

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