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quarta-feira, março 20, 2013

memo

“De nada nos serve ser rainhas ou princesas, super-heróis ou piratas, ganhadores ou perdedores. De nada serve olhar por baixo da minha saia e encontrar-te nu… de nada serve viver no paraíso sem culpa, sem medo, sem ódio, sem amor maldito ou sujo… de nada serve a solidão neste paraíso tão maculado como a rua, tão obscuro como os teus olhos, tão perfeito como a tua voz… Deixa-me parar o tempo.

No tempo-morto começa uma outra história, onde as princesas estão a desfazer-se e os super-heróis choram aos gritos, onde as rainhas tremem de medo e os perdedores vivem, por fim, em paz”

Aprenderemos a não fazer nada, a não ter planos, a não formatar nem limitar as coisas antes de “as abordar”. Experimentaremos métodos para deixar de ter métodos, quebraremos as técnicas e os preconceitos. Trabalharemos em condições extremas e por prazer. Voltaremos a insistir na procura do tempo morto.

Criaremos agitação sem declarar nada.

Criaremos um corpo sem tempo que nos arranque o cadáver e o pensamento.

Deixaremos de sentir os pés seguros, o corpo forte, a língua ágil e o pensamento engenhoso. Deixaremos de ser virtuosos para mostrar também o mais ridículo e vergonhoso. Defenderemos o perdedor e o fingidor, o medo e a força, a luta e a derrota. Procuraremos o corpo em desvantagem que fica no silêncio do tempo-morto. Inventaremos um espaço de eco para o outro o encher com a sua voz.

Criaremos um novo paraíso, um mundo ilusório e fantástico onde a palavra crise soará oca. Procuraremos o paraíso, só mais uma vez, um paraíso ilusório, onde a loucura e o amor ainda sejam uma urgência para o nosso corpo em crise.

Uma criação de urgência para estes dias de fome.

Susana Vidal 

 

Susana Vidal
Encenadora, autora e actriz oriunda do teatro universitário espanhol, trabalha e reside em Lisboa desde 1997 onde é criadora independente e directora artística da B Negativo Teatro. Entre 2000 e 2008, foi, também, encenadora do GTIST (Grupo de Teatro do Instituto Superior Técnico), colectivo com quem participou em varias edições do FATAL e criou diversos espectáculos que questionaram a função e forma do teatro universitário.

(daqui http://www.aefful.pt/wp/?p=2444)

e um obrigado á nAnonima.blogspot.pt







1 comentário:

nAnonima disse...

obrigada eu, meu querido amigo.

um abraço forte.

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