Número total de visualizações de página

quinta-feira, maio 27, 2010

uma árvore.


... falo por mim, para mim. saudades do meu verde, do meu azul, do meu vermelho, estive longe. vim ao fundo e vejo a luz. caí por mim mesmo, caí na realidade. Já nao tenho dor ou mágoa. cansei de lutas e mágoas, e só tenho silencios. sei o que são silencios. estou calmo como uma arvore a florescer numa manhã de primavera, com pequenas folhas que se agarram á vida depois de um inverno estupidamente frio e distante.
Não há sol forte ainda, mas virá, nao ha depressões nem medos febris de noites invernais que nos queimam a pele do gelo.
É a minha realidade, é o meu facto, é a minha vida. Um tronco que caiu e que se ergueu, uma arvore que perdeu a sua folhagem pelo vento e que nao se suportou. e agora, dia após dia sinto mais e mais força nos meus ramos.
Ainda estou débil, ainda olho para o lado e vejo outras árvores lá longe ja bem floridas e a mexer ao sabor do vento, vou voltar a isso. eu sou isso. Não sou nenhum ramo vazio sem cheiro e sem sabor. sei que furacão passou por mim e me deitou abaixo, e tinha sido tão facil suporta-lo. nao importa, sou que sou, nao o que fui por momentos. as arvores tambem se batem pela vida. Por agora o vento abandonou-me, passou por mim e trespassou-me cada folha e cada ramo, mas tou calmo, o meu tronco reconstrói, a minha força volta aos poucos. Nao sou uma arvore que cai, ou que tem um medo de cair, caí algumas vezes, mas sempre me reergui. sei a vida que tenho e nao vou ter mais medos estupidos de que virá outro inverno, se vier, estarei ainda mais forte. Por agora volto a mim, volto ao meu jardim, volto a alimentar toda a minha estrutura, e dia após dia as folhas crescem.. Se algum dia o vento voltar, estarei cá pronto para tudo. nao me preocupa mais nada.. Perdi a luta deste inverno, nao estou desesperado, nem triste, fui ao chão mas aqui estou! sou uma arvore de sonhos, de missoes, de lutas, de carácter, de vontade, de alegria, de cor, de troncos fortes, de mil sombras e mil vidas em mim.
Nao penso mais no que me passou, vi onde nao me agarrei, vi o porquê de ter caído, e aqui estou.
De volta á minha Vida.
eu sou vida.

dia 30 faz 4 anos que me cortei quase pela metade, e voltei das cinzas...voltarei ao mesmo.. menos de um mês e tenho a minha cor e a minha vida. serei eu. mais forte, mais consciente, mais preparado, mais convicto, mais sonhador, mais EU.

hoje ouço o meu amigo Manel, veio até ás minhas primeiras sombras. Gosto da realidade que ele me fala. Coitado, está apaixonado e está com uma dose de realidade. Daquelas bem duras. Gosto deste gajo, fez merda, caiu, e ainda se mantém. faz-me lembrar uma pessoa.

Tinha saudades de mim. Parece que ,parece nao, tive mesmo de vir ao fundo, ("somos um poço sem fundo")cm disse o meu amigo á meia hora..e agora nao importa mais. Escrever, metaforas, musicas, ganho cor. muita cor. saudades de falar comigo, aprender a estar aqui nesta planície, com montes ali ao longe, com o sol a começar a queimar-me aos poucos. Lá longe, muito longe, fruto de estar tudo tao verde ainda, gostava que o vento me visse de longe, mas o que é que isso interessa? Nada. O vento pos-me fora de combate, nao faz mal. todos os dias estou mais forte, caí por mim, tenho as metáforas, os livros, as musicas, a cor, a paz, o meu calor, a minha essência, ainda há momentos gritei pelo vento e nada me diz. Passou.
bebo as palavras, nao me farto, sem quase me fartar, podiamos tar num resto duma noite num meio dum sonho. nao farto de palavras, nao me farto de palavras nem de musicas. de volta ás minhas imagens. Estou calmo, estou a ver o meu tronco a reconstruir dia após dia. nao me importa mais esse vento. escolho as palavras, nao quero mais proferir algo menos pensado, na basta sentir sem medir o peso das palavras, embebedar de saliva e de abraços, com um calor enebriante numa noite parecida a esta. Palavras sao palavras(como disse o cantor), eu tentei dizer. a sério. tentei mesmo.

eu nao deixei de ser mordaz, mas sinto a dor de ter errado,so temo nunca ser capaz, de ouvir.
ouvi. a dor vem perto da cabeça, e o sangue bomba como um licor, só peço a mim que nao me esqueça, de ouvir cantar a dor. nao esqueço. fantasmas floridos que se vão embora. que vão. que se vão, reencontro-me.
jogar o que sei.

nao estou como pensam. Para nos curarmos, é preciso que o queiramos.
nao quero mais a palavra não.
é este o meu caminho, podia tar mais perto do que eu queria para mim, mas ja nao sei se foi onde pensei chegar. peço á cor que me toque, que o vento me venha provar.
finalmente um sorriso, ja ha algum tempo que nao te rias, peço á dor que cure, que é este o caminho certo, sabem a sensação de quando se perdem numa mega metropole, depois viram aqui e ali, perdem-se, o tempo a passar, e dps viram á esquerda e.."epa ja sei onde tou!" é isso..
borboleta, veio agora tocar por aqui, só nao é verdade numa coisa, nao é dos meus medos. Canto para o silencio, para aquele sol que me toca nas costas, imaginar o que ela diz, que a rua nao me assusta, "agora pára de fazer sentido, estás a pisar fora da estrada, e ...nos diz nada."
Larguei uma borboleta, nao me importa o que o coraçao salte ou grite, eu fico para ver o que ele faz, estou aqui a aquecer-me na minha chama. na minha glória, morreu. nao quero mais prisoes nem pressas. Larga Manel, encontramos a nossa paz ja no amanha. O silencio nao assusta mais nada. Parámos de cavar o buraco, amanha estamos cá fora.

saudades do Porto.

Sem comentários:

Real Time Web Analytics